Dayana, a travesti inocente

Dayana nasceu Ricardo, uma mulher presa em um corpo masculino, prenúncio de dificuldades, sobretudo na interiorana Pirapora em Minas Gerais, terra de gente acolhedora e conservadora. O pai não entendeu, e a colocou na rua aos 15 anos de idade, foi acolhida por prostitutas, travestis e traficantes. Aprendeu a sobreviver vendendo o corpo e drogas.

Já havia caído na armadilha do crack quando chegou em Campinas/SP, onde conheceu Matheus, também da rua, ciumento e violento. Batia em Dayana constantemente a quem esfaqueou duas vezes antes de agredir Thiago até a morte após ele jogar pedras nela.

Dayana fugiu de Matheus, mas foi alcançada pela Justiça. Acusada pelo homicídio, foi ao plenário do Júri, sob a presidência da Juíza Sara Gabriela Zolandek, personificação da premissa “lugar de mulher é onde ela quiser”, e, na acusação, o Promotor de Justiça Vitor Petri, que honrou a instituição à qual pertence, reconhecendo a precariedade das provas e pedindo a absolvição de Dayana.

Na tribuna da defesa, ao meu lado, na sua primeira vez, minha filha e agora sócia, a advogada criminalista Giovanna Costa, o que tornou, para mim, essa sessão de julgamento no plenário do Júri inesquecível.

Dayana foi absolvida. Aos 35 anos, acolhida por uma instituição para mulheres vítimas de violência, está há quase dois anos longe das drogas, e tem uma nova chance de ter um futuro com dignidade.

A atuação da defesa foi pro bono, todavia a satisfação de colaborar para que a Justiça fosse alcançada nesse caso não tem preço.

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